terça-feira, 8 de novembro de 2011

ROMANTISMO




O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão do mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que veio consolidar os estados nacionais na Europa. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo tornou-se mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passou a designar toda uma visão do mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo.

O Romantismo no Brasil

Na literatura brasileira, o romantismo assumiu caráter de movimento anti-colonialista. Este traço nacionalista permitiu que os escritores explorassem temas como o indigenismo, o folclore, o regionalismo, além de tentarem estabelecer, pela primeira vez, uma língua literária brasileira. Suspiros e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, publicado em 1836, é o marco inicial do movimento romântico brasileiro. A ele seguiram-se três gerações de poetas românticos. A primeira - nacionalista, indigenista e religiosa - tem em Gonçalves Dias seu nome mais expressivo. Na segunda - também conhecida como ultra-romantismo e com características pessimistas, egocêntricas e mórbidas — destacaram-se Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire. A terceira geração, ou Grupo Condoreiro, é representada pelo poeta Castro Alves que, com seus versos, defendeu a abolição da escravatura e as ideologias liberais.









Alexandre Herculano
“A GRAÇA”

Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?
És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?
Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,.
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d'ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!...


as edições brasileiras e apócrifas.



Júlio Dinis

Pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871), nasceu no Porto e foi entre esta cidade, Ovar e o Douro que passou grande parte da sua vida. Tirou o curso de medicina na Escola Médica do Porto, aliando a profissão de médico à de escritor.
Os seus primeiros textos foram publicados em A Grinalda e em O Jornal do Comércio. De uma família de tuberculosos (a mãe e os irmãos morreram com essa doença), Júlio Dinis contrai também a doença e parte numa cura para a Madeira, cura esta que de pouco lhe valeu, falecendo ainda muito novo.

Obras:

·         As Pupilas do Senhor Reitor (1867)
·         Uma Família Inglesa (1868)
·         Serões da Província (1870)
·         Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871)
·         Poesias (1873)
·         Teatro Inédito (3 volumes – 1946-1947)

 CONTEMPORANIDADE:



Características do Romantismo:

O romantismo seria dividido em 3 gerações:
1º Geração (Nacionalista–indianista)
Voltada para a natureza, regressa ao passado histórico e ao medievalismo. Cria um herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores podemos destacar Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.








2º Geração (Mal do Século)Essa geração, também conhecida como Byroniana e Ultra-Romantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão. Principais autores:Alvares de Azevedo; Casimiro de Abreu; Fagundes Varela; Junqueira Freire.



3º Geração (Condoreira)Conhecida também como Condoreira, simbolizado pelo Condor, uma ave que costuma construir seu ninho em lugares muito altos, ou Hugoniana, referente ao escritor francês Victor Hugo, grande pensador do social. Apresenta linguagem declamatória e vem carregada de figuras de linguagem. Sentimento Social Liberal e Abolicionista. Apresenta como principais autores Castro Alves, Sousândrade e Tobias Barreto.
Castro Alves: Negro, denominado "Poeta dos Escravos", o mais expressivo representante dessa geração. Obras: Espumas Flutuantes, Navio Negreiro.




















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